Fala serio, tem algo mais legal que ficar no meio de uma biblioteca? Cercada de livros que te sussurram historias diferentes, seja as de terror -Minhas favoritas por sinal, adoro ver coisas terroríficas tentarem me assustar entre paragrafo e silabas estranhas-, as de crianças, que cantam contos doces, de coisas fofas e alegres, as das mitologias, que contam antigas historias de guerra, amor, dor e criaturas de tamanha beleza, mas também de enorme feiura - Vulcano, por exemplo, que sorria mas parecia a ponto de chorar-, e até mesmo as de antigos contadores, que fiam, fio a fio, o tear do livro, revelando seu esplendor natural, fascinante e aconchegante, que nos tragam desse mundo para um lugar diferente e belo, como no mundo encantado do livro
Sangue de Tinta, onde um dos personagens retorna a seu mundo, um livro que eu achei simplesmente incrível.
"De repente, tudo estava ali outra vez, os sons, tão familiares e nunca esquecidos, os cheiros, os troncos das árvores, sarapintados pela luz da manhã, as sombras das folhas em seu rosto. Algumas tingiam-se de cores, como teriam feito no outro mundo, ali também começava o outono, mas o ar ainda estava ameno. Ele cheirava a frutas passadas, a flores murchas, milhares delas, cujo perfume entorpecia os sentidos - flores brancas como cera brilhando nas sombra das árvores, estrelas azuis em caules delgados, tão delicadas que ele refreava seus passos para não esmagá-las com os pés. Carvalhos, plátanos, magnólias ao seu redor... e que alto se erguiam no céu!"
Sangue de Tinta, Cornelia Funke.
Acho que já falei o suficiente. Até mais, seres perdidos!